A campanha salarial dos trabalhadores do setor elétrico ganhou um novo capítulo de indignação nesta semana. Após audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), no último dia 22 de maio, o sindicato patronal voltou atrás nos entendimentos construídos durante a mediação e apresentou uma contraproposta muito abaixo do que havia sido debatido com o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (STIEESP).
Segundo o STIEESP, a proposta construída no TRT previa avanços importantes para a categoria, incluindo valorização dos pisos salariais, reajuste pelo IPCA, PLR de R$ 1.771,00, fim da escala 6×1 e melhorias nas regras do vale-alimentação.
No entanto, após a audiência, as empresas apresentaram uma nova proposta considerada extremamente rebaixada pelos trabalhadores e pela direção sindical. Entre os principais ataques estão a redução drástica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), manutenção da escala 6×1, tentativa de restringir direitos ligados ao vale-alimentação e parcelamento das diferenças econômicas.
O presidente do STIEESP, Eduardo Annunciato, o Chicão, criticou duramente a postura patronal.
“É uma falta de respeito com a categoria e com a própria mediação feita no TRT. Construímos uma proposta séria, responsável e possível. A patronal saiu da audiência e voltou praticamente destruindo aquilo que foi debatido. Os trabalhadores não podem aceitar tamanho desrespeito com quem sustenta o setor elétrico todos os dias”, afirmou Chicão.
PLR cortada pela metade
Um dos pontos que mais revoltaram os trabalhadores foi a redução da PLR. Durante a audiência no TRT, a construção apontava para pagamento de R$ 1.771,00. Já a contraproposta patronal reduziu o valor para apenas R$ 923,22.
Para o Sindicato, o valor demonstra total desconexão das empresas com a realidade enfrentada diariamente pelos eletricitários.
Ataque ao vale-alimentação
Outro ponto considerado grave pelo STIEESP é a tentativa de impor mecanismos de punição relacionados ao vale-alimentação. Pela proposta apresentada pelas empresas, trabalhadores com até dois atestados médicos poderiam perder parte do benefício, além da criação de critérios de assiduidade que restringem direitos.
O Sindicato reforçou que direito não pode ser tratado como punição e reafirmou que seguirá defendendo a manutenção das garantias históricas da categoria.
Escala 6×1 continua em debate
Mesmo diante da reivindicação dos trabalhadores e da defesa feita pelo Sindicato durante a mediação no TRT, a patronal também se recusou a retirar a cláusula da escala 6×1 da Convenção Coletiva neste momento.
Assembleia será decisiva
Diante da postura das empresas, o STIEESP convocou os trabalhadores para assembleias nas bases nesta quarta-feira, 27 de maio, a partir das 7 horas, quando a categoria irá deliberar sobre os próximos passos da campanha salarial e avaliar a contraproposta patronal.
A direção do Sindicato destaca que a mobilização da categoria será fundamental para garantir avanços reais na Convenção Coletiva 2026/2027.
📢 Acompanhe todas as informações e participe das assembleias. A luta da categoria continua!
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