Na Índia, Chicão defende salário digno e proteção previdenciária aos trabalhadores

Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo discursou no primeiro dia da 15ª Cúpula do Fórum Sindical do BRICS e alertou para os impactos da precarização do trabalho sobre a Previdência Social

O presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão), discursou nesta terça, 14 de julho, durante o primeiro dia da 15ª Cúpula do Fórum Sindical do BRICS 2026, realizada em Hyderabad, na Índia. Vice-presidente da Força Sindical, Chicão representa no encontro internacional o presidente da Central, Miguel Torres.

A abertura oficial do evento foi realizada pelo ministro do Trabalho e Emprego da Índia, Dr. Mansukh Mandaviya, que defendeu a construção de uma ordem global centrada nos trabalhadores, na qual o avanço tecnológico seja orientado pela justiça social, pela inovação responsável e pela dignidade humana.

Ao discursar para representantes dos países que integram o BRICS, o ministro afirmou que o tema da presidência indiana do bloco — “Construindo para a Resiliência, a Inovação, a Cooperação e a Sustentabilidade” — demonstra o compromisso do país em garantir que o futuro do trabalho permaneça inclusivo, justo e voltado ao bem-estar dos trabalhadores.

Em sintonia com os debates apresentados durante a abertura, Chicão abordou a relação direta entre salários dignos, contribuições previdenciárias e a sustentabilidade dos sistemas de proteção social. Segundo o dirigente, qualquer discussão sobre Previdência precisa começar pela valorização salarial, uma vez que as contribuições dos trabalhadores são calculadas com base nos rendimentos recebidos.

“A base de toda a discussão sobre a Previdência passa pelo salário, porque as contribuições são feitas sobre ele”, afirmou Chicão. O sindicalista lembrou que a Constituição Federal brasileira determina que o salário mínimo deve ser suficiente para atender necessidades essenciais, como moradia, alimentação, transporte, saúde e educação.

Presidente Chicão alerta sobre salário mínimo brasileiro

Chicão também destacou que o valor recebido atualmente por grande parte da população brasileira está distante do necessário para garantir condições dignas de vida a uma família. Estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mencionados pelo dirigente, apontam que uma família brasileira composta por quatro pessoas precisaria receber aproximadamente 1.500 dólares mensais para atender suas necessidades básicas.

De acordo com Chicão, a realidade salarial brasileira representa aproximadamente metade desse valor, obrigando milhões de trabalhadores a procurarem fontes alternativas de renda. Para o dirigente, esse cenário ajuda a explicar o rápido crescimento do trabalho por aplicativos no País.

“Os aplicativos não recolhem para a Previdência e isso acaba prejudicando a Previdência Social do País”, alertou. Chicão defendeu a ampliação do debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais, o financiamento dos sistemas previdenciários e a garantia de direitos aos profissionais que atuam por meio dessas empresas.

Para o presidente do Sindicato, os benefícios econômicos obtidos pelas plataformas não podem ocorrer às custas da ausência de proteção social dos trabalhadores. Ele também ressaltou a importância de uma discussão internacional sobre a mão de obra, diante de empresas e modelos de trabalho que ultrapassam as fronteiras nacionais.

Avanço da tecnologia deve vir acompanhada de salário digno aos trabalhadores

O posicionamento apresentado por Chicão reforça que o avanço da tecnologia e das novas formas de contratação deve estar acompanhado de salários dignos, proteção previdenciária, regulamentação e respeito aos direitos trabalhistas. A inovação não pode resultar em precarização, redução de direitos ou exclusão de milhões de profissionais dos sistemas de proteção social.

A 15ª Cúpula do Fórum Sindical do BRICS prossegue até quinta-feira, 16 de julho. O encontro reúne lideranças sindicais dos países do bloco e de nações convidadas para debater temas como valorização do trabalho, negociação coletiva, qualificação profissional, inteligência artificial, seguridade social, desenvolvimento sustentável e cooperação internacional.

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