O debate sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro das discussões no Brasil. E isso não acontece por acaso. A sociedade começou a perceber aquilo que os trabalhadores sentem há muitos anos na pele: jornadas exaustivas adoecem, afastam famílias, reduzem a qualidade de vida e não representam, necessariamente, mais produtividade.
A escala 6×1 é um exemplo claro desse modelo ultrapassado. Trabalhar seis dias para descansar apenas um significa viver permanentemente cansado, sem tempo para a família, para estudar, cuidar da saúde ou simplesmente descansar. Isso não é qualidade de vida. Isso é sobrevivência.
Por isso, defender a redução da jornada sem redução salarial é defender dignidade, saúde e respeito ao trabalhador.
Participei da audiência pública da Câmara dos Deputados nesta semana e fiquei muito feliz em perceber que o nosso Sindicato já avançou para aquilo que considero a jornada ideal: a jornada de 36 horas semanais, a chamada Jornada Paulo Paim. Enquanto o Brasil ainda debate caminhos para reduzir jornadas exaustivas, o Sindicato dos Eletricitários já mostra, na prática, que é possível construir relações de trabalho mais humanas, equilibradas e modernas.
Esse debate precisa sair do discurso e ganhar exemplos concretos. No Sindicato dos Eletricitários, entendemos que não basta apenas defender essa pauta em audiências públicas, seminários ou campanhas salariais. O exemplo precisa começar dentro de casa.
Por isso, implantamos a jornada de 36 horas semanais sem qualquer redução salarial e avançamos também em modelos mais flexíveis, como a escala 4×3. Fizemos isso porque acreditamos que o trabalhador precisa ter mais tempo para viver. Mais tempo para a família, para o lazer, para a saúde física e mental e para sua própria vida.
A experiência prática comprova aquilo que sempre defendemos: reduzir jornada não significa reduzir compromisso, produtividade ou responsabilidade. Pelo contrário. Um trabalhador menos desgastado produz melhor, adoece menos, falta menos e trabalha com mais motivação.
Muitos setores empresariais ainda resistem a esse debate, repetindo argumentos antigos de que reduzir jornada inviabiliza empresas ou prejudica a economia. Esse mesmo discurso foi utilizado contra férias, 13º salário e tantos outros direitos históricos da classe trabalhadora. O tempo mostrou exatamente o contrário. Relações de trabalho mais humanas fortalecem o ambiente profissional, melhoram a produtividade e geram mais equilíbrio social.
O mundo mudou. A tecnologia mudou. As relações de trabalho também precisam mudar.
Hoje, milhares de trabalhadores convivem com altos índices de estresse, ansiedade, esgotamento físico e mental. Muitas vezes, passam mais tempo no trânsito e no ambiente de trabalho do que com suas próprias famílias. Não faz sentido manter jornadas excessivas enquanto diversas profissões já convivem com novas formas de organização do trabalho.
Em muitos setores administrativos e de escritório, por exemplo, já é plenamente possível avançar imediatamente para modelos mais humanos e equilibrados. Por isso, o Sindicato dos Eletricitários levará esse modelo para as próximas negociações de acordos e convenções coletivas de trabalho.
Nossa proposta é ampliar a discussão sobre jornadas mais flexíveis nas empresas, especialmente nos setores administrativos e de escritório, garantindo mais qualidade de vida sem redução salarial ou retirada de direitos. Queremos levar para as mesas de negociação aquilo que já colocamos em prática dentro da nossa própria entidade. O exemplo vem de casa.
A luta pela redução da jornada não é apenas uma discussão econômica. É uma discussão sobre saúde pública, valorização humana e futuro do trabalho. Precisamos construir um país onde o trabalhador não viva apenas para pagar contas e voltar exausto para casa. O trabalho precisa garantir dignidade, mas também permitir convivência familiar, descanso, cultura, estudo e qualidade de vida.
O Sindicato dos Eletricitários seguirá defendendo esse debate em todos os espaços, porque acreditamos que jornadas mais humanas representam um avanço civilizatório para o Brasil.
Reduzir a jornada é valorizar a vida.
Eduardo Annunciato – Chicão
Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente – FENATEMA
Diretor de Educação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI)
Vice-presidente da Força Sindical
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