A participação do presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão) no 15º Fórum Sindical do BRICS foi concluída com a aprovação de uma declaração internacional em defesa do trabalho decente, da proteção social e da participação dos sindicatos nas decisões sobre o futuro do trabalho. Ele também representou o presidente da Força Sindical, Miguel Torres.
Realizado entre os dias 14 e 16 de julho, em Hyderabad, na Índia, o encontro reuniu representantes sindicais dos países membros e parceiros do BRICS. O documento final defende que o desenvolvimento tecnológico e econômico seja inclusivo, com distribuição justa dos ganhos de produtividade e respeito aos direitos trabalhistas.
Um dos principais temas foi o avanço da inteligência artificial, da automação e das plataformas digitais. A declaração alerta para riscos como eliminação de empregos, informalidade, vigilância, discriminação e decisões automatizadas sem supervisão humana.
“Não podemos aceitar que a tecnologia seja utilizada para retirar direitos, reduzir salários ou substituir trabalhadores sem qualquer proteção social. A inovação precisa gerar desenvolvimento, empregos e qualidade de vida”, afirmou Chicão durante sua participação.
O dirigente também destacou a relação entre salários, Previdência e proteção social. Segundo ele, baixos salários, informalidade e falta de contribuição das plataformas digitais enfraquecem os sistemas previdenciários e comprometem o futuro dos trabalhadores.
“A base da Previdência é o salário. Quando os salários são baixos e milhões de trabalhadores estão sem contribuição adequada, a arrecadação diminui e a aposentadoria também será insuficiente”, declarou.
Para o setor elétrico, o documento também reforça a necessidade de uma transição energética justa, com qualificação profissional, segurança de renda e preservação dos empregos. Nenhum trabalhador deve pagar sozinho pelos custos da descarbonização e das mudanças tecnológicas.
Chicão retorna ao Brasil nesta semana com mais uma experiência internacional na bagagem e com o compromisso de ampliar o debate sindical sobre tecnologia, empregos, salários e direitos.
“Os desafios dos trabalhadores são globais. Precisamos fortalecer a cooperação entre os sindicatos e construir respostas conjuntas. Desenvolvimento econômico só faz sentido quando melhora a vida de quem trabalha”, concluiu.
