PRIVATIZAÇÕES COLOCAM TRABALHADORES E POPULAÇÃO EM RISCO

Os problemas enfrentados em diversos serviços públicos reforçam um alerta que faço, junto com o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (STIEESP), há décadas: quando o lucro passa a ser prioridade, a qualidade do serviço, os investimentos, a manutenção e a segurança acabam ficando em segundo plano.

Energia elétrica, transporte ferroviário, saneamento, rodovias e outros setores estratégicos vêm passando por processos de privatização sob o argumento de maior eficiência. No entanto, o que presenciamos, em muitos casos, são falhas na prestação dos serviços, acidentes, interrupções, aumento da terceirização, redução dos quadros de trabalhadores e condições de trabalho cada vez mais precárias.

Um exemplo recente foi o incêndio registrado em um trem da Linha 11-Coral, em São Paulo, que provocou pânico entre os passageiros e interrompeu a circulação. Independentemente da apuração das causas do incidente, o episódio reforça a importância de investimentos contínuos em manutenção, fiscalização e valorização dos profissionais responsáveis pela operação de serviços essenciais.

Situações como essa demonstram que segurança não pode ser tratada como custo, mas como prioridade.

Outro episódio que acende um importante sinal de alerta ocorreu na Usina Hidrelétrica de Marimbondo, localizada entre Icém, no interior de São Paulo, e Fronteira, em Minas Gerais. Um incêndio atingiu o transformador associado à unidade geradora 4 da hidrelétrica, produzindo chamas e uma intensa coluna de fumaça. Segundo a empresa responsável pela usina, não houve feridos nem interrupção no fornecimento de energia, e as causas ainda estão sendo investigadas. A Usina de Marimbondo também passou a integrar uma empresa privatizada após a desestatização da Eletrobras. O episódio não permite antecipar suas causas, mas reforça a necessidade de transparência, fiscalização rigorosa, manutenção permanente e investimentos em segurança nas instalações do setor elétrico.

No setor elétrico, nós, trabalhadores, conhecemos essa realidade de perto. Sempre denunciei, ao lado do STIEESP, que a redução de equipes, a terceirização desenfreada e a busca incessante pela redução de custos poderiam comprometer tanto as condições de trabalho quanto a qualidade do atendimento prestado à população.

Os apagões, o aumento do tempo para o restabelecimento da energia após temporais e as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores são exemplos que reforçam a necessidade de políticas voltadas ao interesse público.

Desde o início dos processos de privatização, defendo que empresas responsáveis por serviços essenciais devem priorizar investimentos em infraestrutura, manutenção preventiva, tecnologia e valorização dos trabalhadores. Sem esses pilares, aumentam os riscos operacionais e a população acaba sofrendo as consequências.

Os fatos dos últimos anos demonstram que os alertas feitos pelas entidades sindicais não eram exagero, mas uma preocupação legítima com o futuro dos serviços públicos.

Nós alertamos inúmeras vezes que a redução de investimentos, o enxugamento das equipes e a busca pelo lucro acima do interesse público trariam consequências. Infelizmente, vemos isso acontecendo em diferentes setores. Quem paga essa conta são os trabalhadores, que enfrentam condições cada vez mais difíceis, e a população, que depende de serviços públicos seguros, eficientes e de qualidade.

O Brasil precisa investir nas pessoas e na infraestrutura, não apenas nos resultados financeiros das concessionárias.
Continuarei, ao lado do STIEESP, acompanhando de perto a situação dos setores privatizados, defendendo a valorização dos trabalhadores, cobrando investimentos e exigindo que a segurança da população esteja acima de qualquer interesse econômico.

O modelo aplicado nas privatizações não privilegia a qualidade dos serviços. É um modelo falido, marcado pela redução do quadro técnico, por investimentos apenas em projetos que garantem acréscimos nas tarifas, pela redução das manutenções preventivas, pela perda de conhecimento técnico, por falhas gravíssimas na regulação, entre outros problemas importantes.
Esse modelo deve ser rejeitado e combatido pela sociedade. Ele se demonstra perverso com o cidadão e com a classe trabalhadora.

Serviços essenciais não podem ser tratados apenas como negócios. Energia, transporte, saneamento e demais áreas estratégicas sustentam o desenvolvimento do país e impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros.

Por isso, defendo que esses serviços sejam administrados com responsabilidade, planejamento, fiscalização e compromisso com a sociedade.

Eduardo Annunciato – Chicão
Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e vice-presidente da Força Sindical

 

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