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Primeiro dia de greve desmonta discurso das empreiteiras sobre falta de recursos

A greve por tempo indeterminado dos trabalhadores das empreiteiras do setor elétrico começou nesta sexta-feira (12) com forte adesão nas bases e um recado claro à patronal: a categoria não aceitará continuar sendo submetida à precarização, aos baixos salários e à falta de valorização profissional.

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Manserv Guarulhos – Diretor Mesquita coordena mobilização

Após meses de negociações, uma greve de 72 horas, audiências no TRT-SP e diversas tentativas de construção de um acordo, as empresas insistiram em não apresentar uma proposta que contemplasse as reivindicações dos trabalhadores. O que chama atenção, porém, é que a alegação patronal de falta de recursos para conceder ganho real aos salários caiu por terra logo no primeiro dia do movimento.

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Diretor Deco com trabalhadores da Start Taubaté

Diversos relatos recebidos pelo Sindicato apontam que empresas passaram a pressionar trabalhadores para que não aderissem à greve e chegaram a oferecer valores de até R$ 500 por dia para aqueles que aceitassem furar o movimento.

Para o presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão), a estratégia adotada pelas empresas apenas confirma que o problema nunca foi a falta de dinheiro.

“É curioso. Na mesa de negociação dizem que não têm recursos para garantir um ganho real digno aos trabalhadores. Mas basta a categoria cruzar os braços para aparecer dinheiro. Nossa greve está garantindo remunerações diárias de primeiro mundo para quem aceitar furar o movimento. Isso mostra que o problema não é falta de recursos, é uma escolha consciente pela exploração e pela manutenção da precarização”, ironizou Chicão.

Segundo o dirigente, as informações obtidas pelo Sindicato junto às próprias concessionárias contratantes dos serviços já indicavam que existia margem para avanços nas negociações.

“Em conversas com as concessionárias tomadoras de serviço, tivemos a confirmação de que há recursos para melhorar as condições dos trabalhadores. A postura das empreiteiras neste primeiro dia de greve apenas confirmou aquilo que já sabíamos: elas têm condições de atender os pleitos da categoria, mas optam por não fazê-lo. Não é falta de dinheiro. É método. É uma política permanente de redução de custos às custas da qualidade de vida dos trabalhadores”, afirmou.

O Sindicato destaca que nem todas as empresas adotaram a mesma postura. A Conecta, por exemplo, avançou nas negociações e apresentou uma proposta que garantiu ganho real, aceitou o fim da escala 6×1, melhorias em benefícios e avanços importantes nas cláusulas sociais, demonstrando que é possível negociar com responsabilidade e respeito.

Outras empresas também procuraram o Sindicato nos últimos dias e sinalizaram interesse em avançar nas negociações. A expectativa agora é que essas propostas sejam formalizadas para serem apresentadas e avaliadas democraticamente pelos trabalhadores.

Diretor Paulo mobiliza trabalhadores da Start Itaquá

“A Conecta mostrou que é possível construir soluções. Quando existe vontade de negociar, os avanços acontecem. Esperamos que outras empresas sigam esse exemplo e compreendam que valorizar os trabalhadores não é custo, é investimento”, destacou Chicão.

O Sindicato reforça que a greve continuará até que sejam alcançados avanços concretos para a categoria. Além da mobilização nas portas das empresas, a entidade também pretende ampliar as ações para combater práticas que considera prejudiciais aos direitos dos trabalhadores.

“Essa greve está trazendo à luz inúmeros problemas enfrentados diariamente pelos eletricitários das empreiteiras. Estamos identificando situações que precisam ser corrigidas e vamos cobrar as empresas. A judicialização de irregularidades, descumprimentos e desvios de conduta será também uma ferramenta importante para melhorar o setor e proteger os trabalhadores”, afirmou o presidente.

Para Chicão, a postura de algumas empresas pode gerar consequências que vão muito além da atual campanha salarial.

“Os trabalhadores já estão se organizando para ingressar com ações de rescisão indireta contra essas más empresas do setor. Quando o empregador insiste em desrespeitar seus profissionais, precarizar as condições de trabalho e negar avanços mínimos de valorização, ele próprio cria as condições para perder sua força de trabalho qualificada”, alertou.

O dirigente avalia que a insistência das empreiteiras em manter um modelo baseado na precarização poderá acelerar mudanças estruturais no setor.

“Talvez a primarização das atividades seja a resposta, a médio ou longo prazo, para esse erro estratégico cometido por algumas empresas. As concessionárias estão acompanhando tudo o que está acontecendo e sabem da importância desses profissionais para a qualidade e a segurança dos serviços prestados à população.”

Para o presidente do Sindicato, a Convenção Coletiva de Trabalho não pode ser utilizada como ferramenta para aprofundar a precarização das relações de trabalho no setor elétrico.

“A luta é justa e consequente. A Convenção Coletiva não pode servir para retirar direitos ou perpetuar condições precárias. Os empresários que optarem por jogar parado, fingindo que a realidade não existe, sofrerão em curto prazo os efeitos dessa omissão. A categoria está mobilizada e determinada a conquistar o respeito e a valorização que merece.”

Encerrando, Chicão destacou que o setor precisa compreender o valor estratégico da qualificação profissional dos eletricitários.

“Mão de obra especializada não dá em árvores. Formar um eletricitário qualificado exige tempo, treinamento, experiência e dedicação. Quem trata esses profissionais como descartáveis está colocando em risco a qualidade dos serviços, a segurança da população e o próprio futuro do negócio”, concluiu.

O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo segue acompanhando a paralisação nas bases e reforça o chamado à unidade da categoria. A orientação permanece a mesma: manter a greve forte, organizada e participativa até que os trabalhadores conquistem uma proposta compatível com a importância de sua atividade para o setor elétrico e para a sociedade.

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