Terminada a Copa do Mundo, as atenções do País se voltam novamente para as Eleições de 2026. Começam a ganhar força as candidaturas, as alianças partidárias, os discursos e as promessas. Mas eleição não pode ser tratada como campeonato, no qual cada lado apenas veste uma camisa e torce pelo seu time. O que estará em jogo nas urnas é o futuro do Brasil e, principalmente, as condições de vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras.
É fundamental que a população acompanhe o processo eleitoral, conheça os candidatos e analise suas trajetórias. Não basta observar o discurso apresentado durante a campanha. Precisamos saber como cada candidato se posicionou quando os trabalhadores precisaram dele. Defendeu empregos ou apoiou demissões? Lutou pela valorização dos salários ou trabalhou para retirar direitos? Ficou ao lado da negociação coletiva ou tentou enfraquecer os sindicatos? Protegeu a Previdência Social ou ajudou a dificultar a aposentadoria? São essas respostas que devem orientar o voto da classe trabalhadora.
Em 2026, escolheremos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Todos esses cargos possuem enorme importância. O presidente conduz as principais políticas nacionais, influencia os rumos da economia, do emprego, da Previdência, das relações de trabalho, dos investimentos públicos e do desenvolvimento do País. Precisamos de uma Presidência comprometida com a geração de empregos dignos, a valorização do salário mínimo, a soberania nacional e o fortalecimento dos serviços públicos.
Os governadores também tomam decisões que chegam diretamente à vida da população. São responsáveis por áreas fundamentais, como saúde, educação, segurança pública, transporte e desenvolvimento estadual. Também participam das decisões sobre concessões, privatizações, investimentos e serviços essenciais. No setor elétrico, sabemos muito bem como escolhas políticas equivocadas podem resultar em terceirização sem limites, precarização, redução de equipes e riscos para trabalhadores e consumidores.
O Senado tem papel decisivo na aprovação de leis e mudanças na Constituição. O mandato de senador é longo e suas decisões podem afetar gerações. Por isso, é necessário escolher representantes que tenham compromisso verdadeiro com a democracia, com a proteção social, com os direitos trabalhistas e com o desenvolvimento nacional — e não com os interesses exclusivos do mercado financeiro e dos grandes grupos econômicos.
Deputados federais e estaduais também não podem ser escolhidos de qualquer maneira. São eles que discutem leis, fiscalizam os governos e votam os orçamentos. Uma votação no Congresso Nacional pode ampliar direitos ou destruir conquistas construídas durante décadas. Uma decisão na Assembleia Legislativa pode fortalecer os serviços públicos ou abrir caminho para privatizações, cortes e precarização.
Por isso, defendo a importância da eleição de candidatos progressistas, comprometidos com a democracia, com a justiça social e com a valorização do trabalho. Precisamos eleger pessoas que defendam a redução da jornada sem redução salarial, o fim da escala 6×1, a negociação coletiva, a liberdade sindical, a igualdade salarial entre homens e mulheres, a saúde e a segurança no trabalho e uma Previdência que permita ao trabalhador se aposentar com dignidade.
Para nós, eletricitários, também é indispensável avaliar quem defende uma política energética voltada ao interesse público. Energia elétrica não pode ser tratada apenas como mercadoria. É um serviço essencial para a população e estratégico para o desenvolvimento do Brasil. Precisamos de representantes que combatam a precarização, a terceirização irresponsável, os acidentes de trabalho, a redução de equipes e a entrega do patrimônio público.
Não podemos permitir que o debate eleitoral seja dominado pelo ódio, pelas notícias falsas e pelas disputas pessoais. O trabalhador precisa olhar para os projetos apresentados e perguntar: esta proposta melhora minha vida? Protege meu emprego? Valoriza meu salário? Garante meus direitos? Fortalece a indústria nacional? Defende a soberania do Brasil?
O voto é uma das ferramentas mais importantes da democracia. Ele não resolve sozinho todos os problemas, mas pode abrir caminhos para avanços ou permitir retrocessos profundos. Depois da eleição, a mobilização sindical e popular deve continuar, cobrando dos eleitos o cumprimento de seus compromissos.
Em outubro, cada trabalhador terá uma grande responsabilidade. Precisamos votar com consciência, memória e compromisso coletivo. Mais do que escolher nomes ou partidos, devemos escolher um projeto de País.
E o projeto que defendemos é muito claro: um Brasil democrático, soberano, desenvolvido e socialmente justo, no qual o trabalhador seja respeitado, valorizado e colocado no centro das decisões.
Por Eduardo Annunciato, Chicão, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo