El Niño acende alerta para calor extremo: Sindicato reforça cuidados e importância do Plano Verão

O avanço do El Niño acende um importante sinal de alerta para os Eletricitários de São Paulo. Com a aproximação da primavera e do verão, as previsões meteorológicas apontam para temperaturas acima da média e possibilidade de períodos de calor mais frequentes, situação que exige atenção especial dos trabalhadores que exercem atividades externas ou permanecem expostos a ambientes com elevada carga térmica.

O alerta não é apenas uma previsão distante. Em boletim divulgado no dia 10 de setembro de 2026, o Climate Prediction Center, informou que o El Niño está se fortalecendo e estimou em mais de 90% a possibilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante os próximos meses. A tendência é de fortalecimento até o fim deste ano.

No Brasil, o terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) aponta que as temperaturas devem ficar acima da média em praticamente todo o território nacional no próximo trimestre. O documento também indica possibilidade de volumes de chuva acima da média histórica em partes do Estado de São Paulo.

São Paulo pode ter mais calor e tempestades intensas

Para São Paulo, o cenário exige atenção dupla. Especialistas apontam que o El Niño deve contribuir para um ambiente mais aquecido e para a ocorrência de chuvas convectivas, caracterizadas por pancadas intensas e de curta duração. Isso acontece, entre outros fatores, porque as frentes frias podem encontrar maior dificuldade para avançar sobre a Região Sudeste.

Para os Eletricitários, esse cenário reforça a necessidade de prevenção. A categoria está entre aquelas que podem permanecer por longos períodos expostas ao sol, utilizar equipamentos de proteção durante atividades pesadas e atuar em ambientes externos, fechados ou com pouca ventilação. Em períodos de calor intenso, essas condições aumentam a sobrecarga térmica sobre o organismo, podendo provocar desidratação, exaustão, tontura, queda de pressão, redução da atenção e maior risco de acidentes.

As tempestades também exigem atenção especial. Chuvas fortes, ventos e descargas atmosféricas podem alterar rapidamente as condições de segurança de uma atividade externa. Por isso, além da preocupação com o calor, os trabalhadores devem acompanhar os alertas meteorológicos e seguir rigorosamente os procedimentos de segurança previstos para cada atividade.

 

Plano Verão ganha ainda mais importância

Diante deste cenário, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo reforça a importância do Plano Verão, iniciativa criada pela entidade para acompanhar a exposição dos trabalhadores ao calor e estabelecer medidas preventivas durante períodos de temperaturas elevadas.

O Plano realiza medições levando em consideração fatores como temperatura, umidade, vento e o IBUTG — Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo, indicador utilizado para avaliar a sobrecarga térmica. A partir dos resultados, são estabelecidas orientações envolvendo hidratação, pausas para recuperação e, em situações consideradas extremas, interrupção da atividade.

Os números da primeira etapa do programa demonstram a dimensão do problema. Entre 3 de dezembro de 2025 e 3 de agosto de 2026, o Sindicato realizou 1.408 horas de medições. Segundo levantamento da entidade, 932 horas foram classificadas como exposição ao agente nocivo calor. O estudo também apontou 568,5 horas de repouso necessário que não teriam sido realizadas no período analisado.

Para o presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão), os dados demonstram que a exposição ao calor precisa ser encarada como questão permanente de saúde e segurança no trabalho.

“Nenhum serviço pode estar acima da saúde e da segurança de quem trabalha”, destacou Chicão ao apresentar os resultados do Plano Verão.

O dirigente também já reforçou, durante o lançamento da iniciativa, que situações de calor extremo podem exigir medidas mais rígidas para preservar a integridade dos Eletricitários: “A vida do trabalhador vem antes da produtividade.”

Calor não pode ser naturalizado

O Sindicato alerta que calor excessivo não deve ser tratado como simples desconforto ou como algo normal da profissão. Quando existe exposição prolongada, esforço físico, radiação solar e uso de equipamentos de proteção, a carga térmica enfrentada pelo trabalhador pode ser muito superior à temperatura indicada em aplicativos de previsão do tempo.

Por isso, durante os próximos meses, a orientação é para que os Eletricitários fiquem atentos aos comunicados do Sindicato e do Plano Verão, mantenham hidratação adequada, respeitem os períodos de descanso definidos a partir das condições de exposição e comuniquem situações em que considerem que a saúde e a segurança estejam sendo colocadas em risco.

Com a perspectiva de um El Niño muito forte e temperaturas acima da média, prevenção deve ser palavra de ordem. O Sindicato seguirá acompanhando as condições climáticas e defendendo medidas que preservem a saúde, a segurança e a vida dos trabalhadores.

O calor extremo é risco ocupacional e precisa ser tratado com responsabilidade. O Sindicato está atento e ao lado dos Eletricitários.

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