Sindicato denuncia “maltrattamento” da ENEL e cobra fim da retirada de patrocínio do PSAP/Eletropaulo

O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo realizou na manhã desta quinta (27) um ato em frente à sede da ENEL, na Avenida Nações Unidas, para exigir o fim imediato da tentativa de retirada de patrocínio do plano PSAP/Eletropaulo. A mobilização, convocada pela entidade, protestou contra a ação judicial movida pela ENEL contra a PREVIC e denunciou o que o Sindicato classificou como “a mais grave agressão já vista contra trabalhadores ativos, aposentados e pensionistas”.

Durante o protesto, o presidente do Sindicato, Eduardo Annunciato (Chicão), fez um discurso contundente, afirmando que a empresa rompeu compromissos assumidos em mesa de negociação e também descumpriu o contrato de concessão ao avançar de forma unilateral com o pedido de retirada de patrocínio.

Segundo ele, a ENEL havia garantido reiteradas vezes que jamais adotaria essa medida covarde, condição que o Sindicato apontava como fundamental para avançar em qualquer debate sobre os de planos.

“Isso é traição. É uma tentativa de destratar o que está tratado. Nós sempre deixamos claro: alternativa de migração, tudo bem; retirada de patrocínio, jamais. A empresa dizia que nunca faria isso. E agora quer retirar o direito de milhares de aposentados e de 750 trabalhadores ativos. Isso é deslealdade”, afirmou Chicão.

Impacto direto sobre aposentados, pensionistas e trabalhadores ativos

O Sindicato alerta que a retirada de patrocínio afeta milhares de aposentados e pensionistas do antigo plano (BSPS e BD na Vivest). Chicão reforçou que 750 trabalhadores ativos ainda vinculados ao PSAP também seriam duramente prejudicados.

“Há pais e mães de trabalhadores que estão desesperados com essa medida. O ativo (filho ou filha de aposentado) vê sua família preocupada e fica indignado. É impossível negociar com uma faca no pescoço dos aposentados!”, disse.

Medida viola contrato de concessão, afirma Sindicato

Chicão afirmou que a iniciativa da ENEL fere o próprio contrato de concessão, que prevê a manutenção do plano de Previdência aos trabalhadores. Ele declarou que o Sindicato levará essa denúncia aos órgãos reguladores e ao Governo federal.

“Retirar o patrocínio é romper o contrato de concessão. Quem não cumpre contrato não merece renovação. Vamos levar esse tema ao Ministério de Minas e Energia, à ANEEL e à Previc. A ENEL tenta dar volta no sistema, tenta burlar a legislação, tenta enganar aposentados e trabalhadores. Não vamos permitir”, afirmou.

 

Possibilidade de paralisação cresce

A partir do ato desta quinta, Chicão informou que o Sindicato iniciará uma série de mobilizações em todos os locais de trabalho da ENEL. Ele destacou que até então o Sindicato evitava falar em greve, mas que a postura da empresa empurra a categoria a uma escalada de reação.

“Não queríamos politizar esse debate, mas a ENEL está nos forçando a ir para o combate. Se insistir na retirada de patrocínio, haverá paralisação como a empresa nunca viu”, disse o presidente.

Enquanto a retirada não for suspensa, o Sindicato orientará os trabalhadores a adotarem operação padrão, seguindo rigorosamente cada norma de segurança, sem extrapolar esforços diante da sobrecarga e da falta de reconhecimento da empresa.

O recado final: voltar atrás, desistindo da retirada de patrocínio e reconhecendo seus trabalhadores

Chicão encerrou sua fala afirmando que o caminho para a retomada do diálogo é simples: a ENEL precisa abandonar qualquer ação judicial e retirar da pauta a tentativa de fugir das suas obrigações de patrocinadora dos Planos de Previdência Vivest.

“Voltou à lealdade, volta a negociação. Persistiu na deslealdade, vamos crescer o movimento. Essa decisão da empresa é uma burrice sem tamanho, um ataque aos aposentados, pensionistas e trabalhadores. Se a ENEL quer renovar sua concessão, precisa parar de desrespeitar quem mantém essa rede de pé.”

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