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Sindicalização em alta: a consciência de classe que volta a mover o Brasil

O Brasil vive um momento decisivo no mundo do trabalho. Depois de mais de uma década de queda contínua, a sindicalização voltou a crescer. Segundo a mais recente divulgação do IBGE, a taxa passou de 8,4% para 8,9% entre 2023 e 2024—um salto que representa 812 mil novos trabalhadores associados e marca o primeiro avanço desde 2012. São 9,1 milhões de pessoas que compreenderam, cada uma à sua maneira, que sindicato não é passado: é presente, é proteção, é futuro.

Para nós, que estamos diariamente nas bases, esse crescimento não é surpresa. Ele é resultado direto de um novo ciclo de consciência social, em que o trabalhador percebe que, sozinho, enfrenta riscos; organizado, conquista direitos. A reforma trabalhista de 2017, com seu pacote de ataques e retrocessos, tentou desarmar a classe trabalhadora. Tentaram enfraquecer nossos instrumentos de luta, dividir categorias, desmontar estruturas históricas de defesa do trabalho. Mas não conseguiram destruir aquilo que sustenta o sindicalismo: a união.

O IBGE mostra que o Brasil reencontra esse caminho. O crescimento da sindicalização aparece em todas as regiões, com destaque para Sul e Sudeste. Aumenta entre trabalhadores com ensino médio, ensino superior e em todos os níveis de formação. Cresce entre homens e mulheres, com redução histórica da desigualdade de participação entre os sexos. Ganha força entre faixas etárias mais maduras, que já vivenciaram retrocessos e voltam a se organizar – mas também encontra espaço entre os mais jovens, ainda que timidamente, mostrando que o movimento sindical tem o desafio e a oportunidade de dialogar com uma nova geração.

Também chama atenção o papel dos setores econômicos. Administração pública, educação, saúde e seguridade social concentram mais de 30% dos sindicalizados do país. A indústria segue forte. E até segmentos tradicionalmente fragilizados pela informalidade passam a retomar a compreensão de que o sindicato é o escudo protetor coletivo que garante voz, negociação e direitos.

A importância da sindicalização: por que participar?
Quando um trabalhador se sindicaliza, ele não está apenas assinando uma ficha: está fortalecendo uma estrutura que amplia salários, garante benefícios, impede retrocessos, fiscaliza condições de trabalho e negocia melhorias reais. É o sindicato que conquista reajustes, mantém direitos sociais, atua na justiça, acompanha fiscalizações, luta pela saúde e segurança, mobiliza categorias e enfrenta governos e empresas quando é preciso. Nenhum benefício individual supera a força da ação coletiva.

Em um país onde a informalidade ainda é alarmante, onde trabalhadores sem proteção representam mais de um terço da força de trabalho, sindicalizar-se não é apenas importante: é urgente.

A volta da consciência de classe
O avanço da sindicalização expressa algo mais profundo que estatísticas: ele revela um reencontro da classe trabalhadora com sua identidade. A percepção de que direitos não caem do céu, de que empregos dignos não se mantêm por inércia, e de que a democracia depende de sindicatos fortes. Como mostram os dados do IBGE, a queda brusca após 2017 tinha ligação direta com a reforma trabalhista e com a tentativa de enfraquecer a representação coletiva. Agora, o que cresce não é só o número de associados – cresce a compreensão de que somente a organização coletiva é capaz de defender conquistas e propor novos avanços.

Sindicalizar para avançar: o papel do STIEESP
No nosso setor, essa retomada é ainda mais simbólica. Somos trabalhadores essenciais, responsáveis pela energia que move o país, mas historicamente submetidos à pressão por produtividade, metas abusivas, terceirização e insegurança. No STIEESP, temos intensificado nossa presença nas bases, ampliado a comunicação com os eletricitários, batido firme na defesa dos planos de previdência, cobrado contratações, denunciado riscos, fiscalizado condições e representado nossa categoria em todas as instâncias nacionais.

Cada nova sindicalização reforça a capacidade de ampliar conquistas, enfrentar empresas que insistem em precarizar relações de trabalho, garantir segurança, condições dignas e valorização.

O futuro já começou — e ele é coletivo
O aumento da sindicalização não é apenas um dado positivo. É um sinal de que o Brasil volta a se mover pelo caminho da solidariedade, da consciência de classe e da defesa da democracia. É a prova de que quando o trabalhador percebe a força que tem, nada o detém.

Concluo com uma convicção que carrego há décadas e que os números do IBGE agora confirmam:

“Quando o trabalhador se une ao seu sindicato, ele não está apenas defendendo seus direitos. Ele está construindo o país. É essa consciência que cresce de novo — e que precisamos seguir alimentando.”

Eduardo Annunciato (Chicão)

Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente – FENATEMA

Diretor de Educação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI)

Vice-presidente da Força Sindical

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