Não basta celebrar: o Brasil ainda falha em proteger a vida das mulheres

No último dia 8 de março, foi comemorado o Dia Internacional da Mulher, uma data histórica de luta, reflexão e mobilização em defesa dos direitos das mulheres em todo o mundo. Ao longo das últimas décadas, avanços importantes foram conquistados na busca por igualdade, respeito e reconhecimento no trabalho e na sociedade.

Entre esses avanços estão legislações fundamentais de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, além de debates cada vez mais presentes sobre igualdade salarial, combate ao assédio e maior participação feminina nos espaços de decisão.

Mas, apesar dessas conquistas, a realidade brasileira mostra que ainda há muito pouco a comemorar.

O Brasil continua registrando números alarmantes de violência contra a mulher. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o país registra, em média, mais de mil casos de feminicídio por ano. Em muitos desses casos, os crimes são cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, dentro do próprio ambiente doméstico — um espaço que deveria representar segurança e proteção.

Essa realidade revela que o feminicídio é a expressão mais brutal de uma cultura ainda marcada pelo machismo e pela desigualdade de gênero. Não podemos naturalizar esses números nem tratar essas mortes como estatísticas frias. Cada mulher assassinada representa uma vida interrompida, uma família destruída e uma sociedade que falha em garantir o direito mais básico: o direito à vida.

O problema da violência contra as mulheres também dialoga diretamente com as desigualdades sociais e econômicas que ainda persistem no país. A dependência financeira, a precarização do trabalho e a ausência de redes de proteção muitas vezes mantêm mulheres presas em relações abusivas.

Por isso, o enfrentamento à violência contra a mulher precisa ser tratado como prioridade nas políticas públicas e também no mundo do trabalho. É fundamental fortalecer políticas de proteção, ampliar a rede de atendimento, garantir delegacias especializadas e assegurar que leis já existentes sejam efetivamente aplicadas.

O movimento sindical também tem um papel importante nessa luta. Defender condições dignas de trabalho, combater o assédio moral e sexual, garantir igualdade de oportunidades e ampliar a participação das mulheres nas estruturas sindicais são medidas que contribuem para transformar a realidade.

Outro debate que ganha força neste momento é a necessidade de enfrentar a sobrecarga que recai sobre as mulheres no mercado de trabalho e dentro de casa. A dupla ou tripla jornada ainda é uma realidade para milhões de trabalhadoras brasileiras, que conciliam emprego formal, cuidados domésticos e responsabilidades familiares.

Nesse sentido, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 também dialoga com a luta por igualdade de gênero. Garantir mais tempo de descanso, convivência familiar e participação social é uma medida que impacta diretamente a qualidade de vida das mulheres trabalhadoras.

Mais do que uma data simbólica, o 8 de Março deve ser um chamado permanente à reflexão e à ação. Celebrar conquistas é importante, mas não podemos ignorar que muitas mulheres ainda vivem sob ameaça constante de violência, discriminação e desigualdade.

A construção de uma sociedade mais justa passa necessariamente pela defesa da vida das mulheres, pela igualdade de direitos e pelo enfrentamento de todas as formas de violência.

Porque enquanto uma mulher tiver sua vida ameaçada simplesmente por ser mulher, nossa luta continuará sendo necessária.

Eduardo Annunciato – Chicão

Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente – FENATEMA
Diretor de Educação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI)
Vice-presidente da Força Sindical

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