O Brasil começa 2026 com a taxa Selic em 15% ao ano. Um dos juros reais mais altos do mundo. Um patamar que sufoca a economia, encarece o crédito, trava investimentos e penaliza diretamente os trabalhadores e as famílias brasileiras.
A pergunta que precisa ser feita é simples: o que falta para baixar os juros no Brasil?
Cada ponto percentual da Selic representa dezenas de bilhões de reais a mais no pagamento de juros da dívida pública. Estamos falando de algo que ultrapassa R$ 700 bilhões por ano destinados ao serviço da dívida — dinheiro que poderia estar sendo investido em infraestrutura, saúde, educação, geração de empregos e modernização de setores estratégicos como o elétrico.
Enquanto isso, pequenas e médias empresas enfrentam crédito caro, o financiamento imobiliário se torna cada vez mais inacessível e as famílias seguem endividadas para manter o mínimo de dignidade. Juros a 15% não são neutros. Eles transferem renda para o sistema financeiro e reduzem o dinamismo da economia real.
A expectativa para a reunião do Copom nos dias 17 e 18 de março é de um corte tímido de aproximadamente 0,5 ponto percentual, o que levaria a taxa para 14,5%. Mas sejamos honestos: isso será suficiente? Meio ponto percentual altera de forma concreta a vida de quem depende de crédito para produzir, investir ou consumir? Evidentemente que não.
A inflação está dentro do intervalo da meta. O mercado de trabalho apresenta estabilidade. O crescimento econômico já mostra sinais de desaceleração. Se os fatores que antes justificavam juros elevados perderam intensidade, por que a taxa permanece nesse patamar tão alto?
A autonomia do Banco Central não pode significar isolamento da realidade social. Política monetária não é um exercício teórico restrito a planilhas. Ela impacta emprego, renda e desenvolvimento. O Brasil precisa de uma política que considere não apenas o controle inflacionário, mas também crescimento econômico e geração de oportunidades.
Nós, eletricitários, sabemos o que é manter o país funcionando todos os dias. Sabemos que sem investimento não há expansão do sistema elétrico, não há modernização, não há crescimento sustentável. O custo do dinheiro influencia diretamente a capacidade de investimento do setor produtivo.
Não se trata de defender irresponsabilidade fiscal. Trata-se de equilíbrio. Trata-se de reconhecer que juros a 15% são incompatíveis com um projeto de desenvolvimento nacional.
Se em março vier um corte de 0,5 ponto, será apenas um gesto simbólico diante da urgência que o país enfrenta. O Brasil precisa de uma redução consistente, planejada e mais acelerada dos juros para destravar investimentos e aliviar o peso que hoje recai sobre as famílias brasileiras.
O debate precisa ser ampliado. O Congresso Nacional deve discutir os impactos dessa política. A sociedade precisa participar dessa reflexão. Não é aceitável que decisões com efeitos tão profundos sobre a vida do povo brasileiro estejam dissociadas das necessidades do desenvolvimento.
O que falta para baixar os juros no Brasil? Falta colocar o crescimento e o povo no centro das decisões.
Eduardo Annunciato – Chicão
Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente – FENATEMA
Diretor de Educação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI)
Vice-presidente da Força Sindical
Confira mais notícias dos ELETRICITÁRIOS:
https://eletricitarios.org.br/
Siga o presidente Chicão
✅ Facebook – facebook.com/eduardo.chicao
✅ Instagram – instagram.com/chicaooficialsp/
Já se inscreveu no YouTube dos Eletricitários?
https://www.youtube.com/user/eletricitarios
Quer ficar por dentro das notícias dos ELETRICITÁRIOS pelo WhatsApp?
Siga o nosso canal: https://whatsapp.com/channel/0029VasT6nA






