O governo não vive só de narrativas: ele mente descaradamente!

Em mais um dos seus momentos de Pinóquio, veiculado na live (Leviana, Irresponsável, Venal, Enganadora) de 21 de outubro, o presidente da República mentiu sobre a relação entre as vacinas contra a COVID-19 e o desenvolvimento de AIDS.

Nada provoca mais danos num Estado, do que homens astutos a quererem passar por sábios”.  Francis Bacon

Narrativa ou mentira?

Nos últimos meses, uma das palavras mais utilizadas por políticos, jornalistas e analistas foi “narrativa”, ao se referirem sobre a conjuntura política do Brasil. Mas o que é uma narrativa? 

Em seu significado dicionário, “narrativa” é a “exposição de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados, reais ou imaginários, por meio de palavras ou de imagens”. 

Uma narrativa pode ser verdadeira ou mentirosa, a depender das intenções de quem a constrói ou a divulga. Segundo Aristóteles, a mentira é o ato através do qual um emissor altera ou dissimula, deliberadamente, aquilo que ele reconhece como verdadeiro, tentando fazer com que o ouvinte aceite ou acredite ser verdadeiro algo que é sabiamente falso. 

Uma das características de um governo incompetente e autoritário como este que está no poder, é utilizar a comunicação para desinformar a sociedade, e, também, para atacar aqueles que não se submetem às suas propostas e imposições. Daí, vem a prática de se construir narrativas, baseadas em mentiras e fatos distorcidos, com objetivo de desviar a atenção das pessoas.

Escondendo a incompetência e a covardia

A também fantasiosa credibilidade política do presidente eleito, derrete ainda mais a cada mentira por ele contada. A mais recente pesquisa do Datafolha aponta que 57% dos brasileiros não acreditam em nada que o capitão presidente fala, enquanto 28% da população, às vezes acreditam, e 18%, sempre acreditam no presidente. A queda da aprovação do governo Bolsonaro está diretamente ligada à veiculação de mentiras: seja contra seus adversários ou sobre a conjuntura social e econômica do país.

O Brasil está totalmente sem rumo, quando se trata de políticas públicas (principalmente na economia, no meio ambiente e na geração de empregos e renda). Tais problemas sociais evidenciam a clara limitação técnica e moral daqueles responsáveis pela elaboração e implementação dessas políticas.

Os ministros são trocados a cada crise, os pedidos de demissão de técnicos são constantes, enquanto o povo come lixo para não morrer de fome. Os míseros empregos criados são fruto de uma tímida onda de reposição de vagas, mas, com salários mais baixos, o gás, os combustíveis e os alimentos ficam cada vez mais caros. A inflação voltou, e, segundo o governo, tudo é culpa da oposição, dos governadores, dos comunistas, entre outros. Ou seja, mais uma vez, entram em cena as narrativas e as mentiras para esconder a incompetência e a covardia do governo e culpar terceiros.

“Vacina provoca AIDS”

No início do texto, nos referimos a uma live, na qual o “capitão cloroquina” prestou mais um desserviço ao país, mentindo que as pessoas vacinadas desenvolvem AIDS. Mais uma mentira de quem sempre jogou contra a vacinação, apostou na imunidade de rebanho, criticou – e ainda critica – o uso de máscaras, e, pior que tudo isso, não se importa com as milhares de vidas perdidas. Este governo pode negar sua irresponsabilidade com a pandemia, mas sua história já está manchada, em função de erros e crimes praticados.

Somente neste ano, o presidente divulgou 29 informações falsas sobre a pandemia –  sendo que, 22 delas foram veiculadas em suas lives, às quintas feiras. A prática de mentir atingiu níveis tão elevados e os riscos para o país são tão grandes, que, pela primeira vez, o Facebook e o Instagram derrubaram o vídeo mentiroso do presidente. 

Pelo andar da carruagem, as mentiras e as narrativas não vão parar, se o povo não se unir em defesa da verdade e da democracia. Chega de astutos políticos (?) fingirem ser honestos e competentes! Cuidado com o golpe do “Auxílio Brasil” e o teto de gastos!

O governo deve gastar mais, desde que seja para acabar com a fome, com a pandemia e com o desemprego – e não para se reeleger. 

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