Apagão mental ou descaso do “Posto Ipiranga”?

O Brasil vive a pior crise hídrica dos últimos 91 anos e as perspectivas para os próximos meses não são as melhores: aumento das tarifas de energia elétrica para os segmentos da indústria e do comércio dificultarão, ainda mais, a já lenta recuperação econômica. Já o consumidor residencial será, mais uma vez, golpeado pelas costas, por um governo incompetente e insensível.

Outro fator que deve ser levado em conta é que a geração de energia, assim como o fornecimento de água, depende das condições climáticas. Caso não ocorram chuvas em quantidade suficiente para elevação dos níveis dos reservatórios, o risco de racionamento e de apagões será grande.

Além disso, mais uma vez, o setor elétrico brasileiro continua refém de posicionamentos dos órgãos de planejamento e de fiscalização – que, apesar de contarem com pessoal técnico competente, acabam contaminados por uma visão unicamente privatista e omissa dos ministérios diretamente envolvidos com o referido setor (leia-se Economia e Minas e Energia).

Qual o problema da conta de luz ficar “um pouco mais cara”?

Esta foi mais uma destrambelhada frase do ministro Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”, proferida em meio a maior crise hídrica da nossa história. Ela reflete, claramente, uma postura de descaso do ministro com a realidade brasileira.

Todas as melhorias e avanços na economia prometidos durante a campanha política ainda não aconteceram. Qual a razão? Estelionato eleitoral? Incompetência? Implantação do anarcocapitalismo? Entreguismo do patrimônio público?

Quando um país é desgovernado por um batalhão de negacionistas das mudanças climáticas, é desinformado por um comando baseado em fake news e terceirizador de responsabilidades, o resultado é seu povo sem emprego, sem futuro, sem água e sem luz.

O problema de uma conta de luz “um pouco mais cara” é torpedear a retomada do crescimento econômico, penalizando, ainda mais, a indústria, o comércio e a prestação de serviços. O problema de uma conta de luz “um pouco mais cara” é bombardear o direito do consumidor residencial a um serviço essencial.

Assim como em relação ao preço dos combustíveis, o governo bravateia também em relação ao preço da tarifa de energia: fala que vai baixar o preço e fala que a culpa é dos governadores, mas continua inerte; cálculos preliminares do governo indicam a adoção da bandeira vermelha 2 – o que significa aumentar, de R$9,49, para algo entre R$15 e R$20 para cada 100KWh consumidos.

Medidas do governo

Uma das características de uma administração pública confusa, incompetente, avessa ao planejamento eficiente e à fiscalização transparente, é a adoção de medidas sempre reativas, em vez de se antecipar aos problemas e atuar de forma preventiva.

Após passar o tempo todo brigando com o mundo sobre a questão climática, a preservação da Amazônia e negociando a privatização da Eletrobras, o governo adota algumas medidas, visando reduzir o consumo de energia elétrica.

Incentivar as empresas a reduzir – ou deslocar – o consumo de energia elétrica, através de compensação financeira; dar desconto na conta de luz para os consumidores residenciais que diminuírem o consumo e ainda determinar que os órgãos públicos economizem entre 10% e 20%, são medidas que poderiam ser evitadas, caso o governo comunicasse a população sobre a gravidade do problema.

Um exemplo da perda de timing é a ativação das termelétricas, que poderiam ter sido acionadas antes para que os níveis dos reservatórios não ficassem tão baixos. Além disso, é preciso uma campanha permanente de conscientização sobre a importância de economizar energia elétrica.

Não adianta ficar sentado, chorando

Outras infelizes e desconexas colocações do ministro Paulo Guedes: “quais as opções dos consumidores? Deixar de usar energia elétrica? Se endividar ainda mais para conseguir pagar a conta de energia? Fazer um gato?”

Realmente, o povo não pode ficar sentado, chorando. Tem que ir à rua e exigir a saída de mais um ministro incompetente e parasita do governo.

O presidente da República bem que poderia seguir o conselho do seu “Posto Ipiranga”, e, em vez de ficar sentado, governando para o seu gado e pedindo para que apaguemos um ponto de luz em casa, trocar imediatamente o seu ministro da economia.

No final das contas, continuamos na escuridão da dúvida. Trata-se de um apagão mental de um ministro, ou mais uma evidência do descaso com o povo brasileiro? 

Somente a luz da Democracia e a energia da mobilização social podem acabar com as trevas da incompetência e do autoritarismo.

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